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Germinar

  • Vanessa Evelyn
  • 8 de mai. de 2021
  • 2 min de leitura

Por Vanessa Evelyn

Arte por Gabriella Sales e Mariana Catacci

Um jovem, recém entrado no ensino médio, via sua imagem refletida no espelho, mas não se envergava naquele corpo. Não entendia quem era e porque passava por tudo isso. Assim foi a adolescência de Pedro Pinheiro, até que, aos 18 anos, teve contato com a questão da identidade de gênero e descobriu o T da sigla LGBT. Homem trans, Pedro sabe que se reconhecer como tal é parte essencial de sua identidade, que para ele é aquilo pelo qual é lembrado e apresentado. Aquilo que o define como único.


Para completar essa definição de identidade, a cientista social, Karen Florindo, explica que podemos entendê-la como características sociais e culturais que são atribuídas a nós. Ela está diretamente ligada ao ambiente ao qual pertencemos e ao lugar que ocupamos na sociedade: “[diz respeito] sobre outros indivíduos com quem me relaciono, sobre o espaço, a cultura, a história...”.


Mas como encontrar a sua identidade quando o ambiente ao seu redor não te representa? Larissa Barbosa viveu isso durante a infância. Estudando com bolsa de estudos em escolas particulares, nunca se sentiu parte do universo das crianças brancas que a rodeavam. Foi no ensino médio, quando passou a fazer parte de um coletivo negro, que entendeu o motivo de não se sentir parte daquele ambiente. Só a partir disso que Larissa percebeu que ser negra era um fator definitivo para a formação da sua identidade. Para além de defini-la, encontrar parte de sua identidade foi essencial para que se sentisse pertencente a um grupo.


Essa busca por pertencimento é natural para Karen Florindo, e está ligada ao fato de sermos seres sociais. “A gente está constantemente buscando espaços de acolhimento onde a gente possa, de fato, ser.”. Esse processo não aconteceu apenas com Larissa. Pedro iniciou sua transição hormonal enquanto fazia faculdade longe da família e durante alguns meses escondeu esse processo de seu núcleo familiar. Ele viu nos amigos LGBT o suporte que precisava e se apoiou nisso. “Você tem certeza que não é o único... Você tem sempre alguém que te entende para estar com você, para te ouvir, para te aconselhar.”


Para Larissa e Pedro, a construção e a aceitação de suas identidades foram processos ligados a outras pessoas e vivências. Foi necessário ter ajuda do exterior para compreender o interior. Karen resume bem esse processo: “todas as trocas sociais deixam ‘marcas’ em nós e incorporamos - consciente e inconscientemente - algumas delas, as descrevendo como identidade. O meio é a estrutura fundamental nessa construção”.

 

Colaboraram:

  • Larissa Barbosa — Estudante e parte do coletivo negro Opá Negra

  • Pedro Pinheiro — Gestor de Eventos

  • Karen Florindo — Cientista Social e curadora do blog “Lute como uma gorda”




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O claro! vida é uma produção coletiva dos alunos

do 5º semestre de Jornalismo da ECA-USP

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